Cumprindo Com a Ultima Obrigação

Como todos devem saber, meu tio impôs duas condições para me emprestar a Ursula:

- Tirar fotos da Ursula em placas: aqueles que acompanharam viram a realização disso;

- Colar um adesivo de cada lugar em que parassemos;

E é para COMPROVAR que cumprimos com este último item que escrevo este post.


O que acharam??

Carpe Diem

Carlos e Inajara

VIDEOS

Nos últimos dias estivemos inseridos diversos vídeos nos posts das viagens Patagonia de Rural e Mochilão Atacama.

Esperamos que gostem.

Abaixo estão alguns exemplos do que vem por aí.

Córdoba a Santa Rosa – A Última Grande Jornada

Deixamos Córdoba na terça-feira a tarde, acompanhados em parte do trajeto pelos nossos amigos do Grupo de Estancieras. Percorremos apenas 200 km neste primeiro dia, pois chegando a cidade de San Francisco a Ursula voltou a falhar e em um certo momento, creio que devido as continuas paradas em semáforos e lombadas (lomos de burro), não quiz mais seguir viagem. Empurrando conseguimos chegar a uma estação de serviço da YPF e por alí mesmo passamos a noite. Conversei com um amigo pela internet e ele me deu algumas dicas de onde poderia estar o problema.

Acordamos na manhã seguinte decididos a reparar nossa máquina antes de voltar a estrada. Mexe daqui, mexe dali, começa a chover, o lugar onde estavamos parados se transforma em um barral e nenhuma solução é encontrada. Apelo então aos frentistas do posto que me indicam um mecânico nas redondezas. Caminho até o lugar indicado e em alguns minutos retornamos para novamente rebocar a Ursula, desta vez até a oficina. Além de um curto circuito no distribuidor solucionado facilmente, duas válvulas de descarga do motor estão danificadas. Para solucionar este último seriam necessários no mínimo três dias, mas isto não nos impede de seguir viagem. O problema é que perdemos potência, pois ao invés dos seis cilindros, apenas quatro funcionam. Em retas alcançamos os 70km/h, mas em subidas chegamos apenas aos 30 km/h e com muito sacrifício.

No final das contas deixamos São Francisco apenas as duas horas da tarde e do jeito que estava. É melhor seguir e resolver em Santa Rosa do que ficar três dias parados em uma cidade onde não há peças de reposição e não conhecemos ninguém, estando sujeitos a demorar ainda mais. Sem parar para descansar e com forte chuva em parte do trajeto, conseguimos percorrer 375km e chegar a cidade de Federal, na província de Entre Rios. No caminho cruzamos o túnel sob o Rio Paraná ligando as cidades de Santa Fé e Paraná, com quase 3 km de extensão e 32 metros de profundidade.

Passamos nossa última noite de viagem em um posto na cidade de Federal. Os banheiros eram terríveis, mas não nos importamos muito, apesar de quase não conseguir a noite inteira em função dos mosquitos – problemas que não tinhamos no frio do sul – e de um monte de gurizada escutando música com o volume no máximo em seus carangos – o posto era o único local aberto que vendia cerveja durante a madrugada.

Antes das 6:00 hrs da manhã pegamos a estrada, loucos para chegar em casa. Não queriamos passar mais nenhuma noite dormindo dentro da Ursula. Os problemas com nossa guerreira continuavam. Não conseguiamos alcançar uma velocidade satisfatória em subidas e a cada parada a bomba de gasolina resolvia parar de funcionar. Depois de um tempo “resfriando” ela voltava. Cruzamos a fronteira pela ponte entre Santo Tomé – Arg e São Borja-Bra, mas não sem antes fazer uma paradinha em um posto de combustivel para encher o tanque e gastar os pesos que sobraram em um mercado, afinal o câmbio tem nos favorecido bastante.

Por volta das 17:00 hrs, depois de ter rodado mais de 600 km neste dia e a cerca de 100 km de Santa Rosa, uma das travas do distribuidor se rompeu. Liguei para um amigo mecânico de Santa Rosa e ele sugeriu que eu amarrasse a tampa com um pedaço de câmera. Por sorte, ainda tinhamos um pouco de câmera que utilizavamos para prender os estepes na parte de cima da Ursula.

As 19:00 hrs, depois de um dia incrivelmente cansativo, chegamos a casa dos meus pais em Santa Rosa. A emoção tomou conta, pois achavamos que não conseguiriamos chegar. Estes últimos 1.500 km foram muito difíceis, tivemos muitos problemas mecânicos com nossa guerreira que já estava pedindo pela aposentadoria.

É Nós na Zero Hora

Na página 4 do Caderno Viagem da Zero Hora de hoje (terça-feira, 22 de Dezembro) saiu uma reportagem sobre nossa viagem.

Quem tiver interesse em acompanhar pode comprar uma ZH ou então acessar a página do jornal através do link a seguir:

http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2755688.xml&template=3898.dwt&edition=13771&section=1038

Ultimas Notícias

Já estamos em Santa Rosa, na casa dos meus pais. Chegamos na última sexta-feira, mas isto não significa que a viagem terminou. Tiramos o final de semana para um descanso merecido, afinal os últimos 1.200 km foram os mais difíceis.

Nos próximos dias contaremos o que aconteceu nesta etapa final, além de publicar alguns vídeos, a entrevista de Rufino e também o balanço final. Durante os 77 dias viajados, tomamos o cuidado de anotar todos os custos.

Ursula Começa a Demonstrar Sinais de Cansaço

Quando deixamos General Roca nossos amigos de Cipolletti nos presentearam com dois pneus usados, pois estavam preocupados com a situação dos pneus com que andavamos. 900 km depois, ao chegar em Rufino, o pneu traseiro direito da Ursula se acabou, abrindo um rasgo que mostrava pedaços de arame. Ainda bem que o pessoal de Cipolletti percebeu e se preocupou com este detalhe.

Além do pneu, outro problema nos incomodava: quando paravamos, mesmo sem desligar o motor, ao voltar a rodar a Ursula falhava e algumas vezes o motor se desligava. Quando isso acontecia, resolviamos insistindo com o motor de arranque ou então parando alguns minutos para resfriar.

A poucos kilômetros de Córdoba simplesmente abriu-se um rombo no pneu que utilizamos para substituir o furado em Rufino. A situação começava a preocupar.

Na casa do Augusto, nosso anfitrião em Córdoba, aproveitei o sábado para tentar resolver o problema das falhas do motor. Pensei ter algo a ver com a bomba elétrica que colocamos em Bahia Blanca. Ela havia sido instalada logo abaixo da descarga do motor e poderia estar aquecendo – algo que não acontece no sul.

No domingo, enquanto iamos em comboio para o asado no camping, a Ursula continuou falhando e a situação até piorou. Foram várias paradas seguidas e chegou um momento em que ela não quiz mais andar, demonstrando estar com pouca potência para subir as ladeiras da serra de Córdoba. No caminho cheguei a substituir o condensador, mas de nada adiantou. Nos últimos kilômetros necessitamos ser rebocados.

Durante o asado, conversa vai e conversa vem, várias hipóteses surgiram. Decidimos levá-la há casa do Júlio (mecânico e integrante do grupo naquele domingo) na segunda-feira de manhã para regular as válvulas de admissão e tentar solucionar o problema. Os cerca de 50 km entre o camping e a casa do Augusto no domingo a noite foram percorridos em uma verdadeira “operação” de apoio em que o Augusto nos rebocava enquanto dois outros integrantes acompanhavam, um deles (Pablo) com o alerta de sua Hyundai ligado, já que a Ursula não possui este “acessório”.

Na segunda de manhã, já na casa do Júlio, ajusta aqui e ali até que saímos com nossa guerreira redondinha. Acabaram-se os problemas!!!…. Alguns quilometros depois, voltam os problemas. Seguimos com pouca potência no motor, mas desta vez havia melhorado um pouco e conseguiamos andar pelas próprias pernas. Passamos parte da tarde trabalhando na elétrica da Ursula, basicamente substituindo peças. Trocamos o platinado e parecia que tudo estava bem. Cerca de uma hora depois de dar algumas voltas para testar, pensamos em sair para comprar comida e novamente a Ursula não queria andar. Desta vez, a gasolina não chegava ao motor. Substituimos os dois filtros (antes e depois da bomba) e voltamos a ter o motor em condições.

Na terça de manhã, depois de trocar o platinado, a bobina e o condensador da bobina, parecia que tudo estava bem. Fizemos várias voltas sem nenhum tipo de problema. Em uma delas até a gomeria (borracharia) conhecemos o Jorge e ele nos presenteou a Ursula com uma verdadeira medalha de honra ao mérito por tudo que havia percorrido até então. Logo depois do meio dia, Augusto, Pablo e eu tratamos de “cravar” a medalha no peito de nossa guerreira.

Rasgo aberto no pneu em Rufino

O pobrezinho parece ter carregado mais peso que os outros

Chegando há Cordoba, mais um pneu se vai.

Sábado a tarde, alterando a posição da bomba de gasolina

Pelos kilômetros rebocando Ursula, a Estanciera de Augusto foi batizada "Noivo da Ursula" (hehehe)

Ela parecia estar realmente apaixonada pela amarelinha de Augusto

Segunda-feira na casa do Julio (da pra notar que a coisa não tava fácil)

Augusto e Pablo batizando a Ursula - UMA VERDADEIRA ESTANCIERA!!

As Estancieras Argentinas levavam este mesmo símbolo quando saiam de fábrica

Clube de Estancieras de Córdoba e Região

Córdoba, a última cidade em que “paramos” nesta viagem. Depois daqui, nosso desafio será chegar em casa. É verdade que a vontade de voltar vem aumentando a cada dia, mas não podemos perder a oportunidade de conhecer mais uma família de “Estancieras”.

Novamente fomos super bem recebidos por este pessoal que conhecemos através da Legião Estanciera. Desde nossa chegada na sexta-feira a noite (11/12) quando nos reunimos em uma pizzaria e mais tarde saímos para tomar um sorvete, até o dia de nossa partida na terça (15/12), recebemos todo o apoio que necessitavamos e até um pouco mais, como é de costume de nossos hermanos argentinos.

No domingo todos se juntaram em um camping na região serrana para compartilhar em um asado de final de ano. Deliciosa comida e boas conversas não faltaram. Passamos a tarde nos refrescando em um rio ao lado do camping.

Juntos com nosso anfitrião Augusto e sua família, antes de seguir para o asado do domingo.

Reunidos com nossos amigos no domingo a tarde

Reunidos com nossos amigos no domingo a tarde

Passamos a tarde curtindo o rio e conversando

E tava bem bão!!

Máquinas parte 1

Máquinas parte 2

Um Jeep Willys das antigas

Alta Gracia e o Valle de Santa Rosa de Calamuchita

Deixamos Rufino e seguimos viagem com destino a  grande e conhecida Córdoba, aproveitando para no caminho conhecer o Valle de Santa Rosa de Calamuchita e a cidade de Alta Gracia.

O Valle de Santa Rosa de Calamuchita é constituído por uma série de pequenas cidades em plena região serrana de Córdoba e é caracterizado pela presença de grandes lagos e diques. Passear por este lugar nos fez recordar um pouco da serra gaúcha.

Alta Gracia é conhecida por abrigar o Museo Casa del Che, onde Ernesto viveu durante grande parte de sua infância, e também pelas construções dos tempos dos jesuítas, que renderam à cidade o título de Patrimônio da Humanidade. Infelizmente nós chegamos tarde e conseguimos apenas visitar o Museo del Che por 15 ou 20 minutos. Muitas fotos da infância, da família e da época de guerrilha estão nas paredes. Dos objetos pessoais, cartas e postais do acervo, dois itens se destacam: as réplicas da bicicleta Garelli motorizada, que Che usou em sua primeira viagem pela América Latina, em 1950, e da moto Norton, igual a “A Poderosa 2″, usada por ele e Alberto Granado em 1951, no trajeto que deu origem ao filme Diários de Motocicleta (2004), de Walter Salles.

Villa del Dique

Ursula fazendo sucesso

Dique em Molinos

Museo Casa del Che

Nas paredes, vários quadros

Réplica da bicicleta com a qual Che percorreu o noroeste da Argentina

Réplica da Norton em que Che e Granado viajaram pela América do Sul

Rufino – Entrevista e Algumas Relíquias

Antes de iniciar a viagem nos contatou um homem chamado Heraldo, da cidade de Rufino. Ele escreveu dizendo que quando chegassemos a cidade, deveriamos perguntar pelo “Pelado de Rufino“, pois todos o conheciam. Ficamos nos perguntando oque ele havia feito para ganhar a fama de “Pelado”, mas quando chegamos a Rufino o mistério se desfez. “Pelado” em espanhol significa “Careca” e não “Nu”, como pensávamos.

Heraldo e sua família demonstraram-se muito receptivos e atenciosos. Logo na primeira noite não faltou o tradicional “asado“, no qual conhecemos alguns amigos que possuem carros antigos, verdadeiras relíquias lapidadas pelos próprios donos. Entre elas está um Fiat 600 incrível, com um bar na parte traseira, bancos giratórios, cristais no teto e no piso. O Fiat foi premiado diversas vezes em concursos de veículos restaurados.

No dia seguinte passeamos pela cidade, conhecemos as “relíquias” e também fomos entrevistados por um canal de televisão local. A entrevista foi exibida AO VIVO no horário do almoço e reprisada as 20:00hrs. Em breve trataremos de publicar a entrevista no blog.

Ursula e a Estanciera de Heraldo em frente ao portal de Rufino

Heraldo, Lili e seu filho Marcos

Relíquia número 1

Relíquia número 2

Bar no interior do Fiat 600

Painel do Fiat

Entrevista para o Canal 6 de Rufino e região

Da televisão do hotel gravamos trechos da reprise as 20 horas

Chegamos a Santa Rosa…

Mas ainda não estamos falando do nosso amado Rio Grande… hehehehe.

Depois de deixar General Roca e viajar a tarde inteira abaixo de um sol forte, passamos a noite em uma Estacion de Servicio em Santa Rosa, cidade com 140.000 habitantes e capital da Província de La Pampa.

Nossa guerreira segue firme e forme rumo ao Brasil.

Avante Ursula, sua família lhe espera.

Estamos chegando!!!

Paisagens

Depois de um bom tempo, voltamos a dormir em postos de gasolina

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