Quando deixamos General Roca nossos amigos de Cipolletti nos presentearam com dois pneus usados, pois estavam preocupados com a situação dos pneus com que andavamos. 900 km depois, ao chegar em Rufino, o pneu traseiro direito da Ursula se acabou, abrindo um rasgo que mostrava pedaços de arame. Ainda bem que o pessoal de Cipolletti percebeu e se preocupou com este detalhe.
Além do pneu, outro problema nos incomodava: quando paravamos, mesmo sem desligar o motor, ao voltar a rodar a Ursula falhava e algumas vezes o motor se desligava. Quando isso acontecia, resolviamos insistindo com o motor de arranque ou então parando alguns minutos para resfriar.
A poucos kilômetros de Córdoba simplesmente abriu-se um rombo no pneu que utilizamos para substituir o furado em Rufino. A situação começava a preocupar.
Na casa do Augusto, nosso anfitrião em Córdoba, aproveitei o sábado para tentar resolver o problema das falhas do motor. Pensei ter algo a ver com a bomba elétrica que colocamos em Bahia Blanca. Ela havia sido instalada logo abaixo da descarga do motor e poderia estar aquecendo – algo que não acontece no sul.
No domingo, enquanto iamos em comboio para o asado no camping, a Ursula continuou falhando e a situação até piorou. Foram várias paradas seguidas e chegou um momento em que ela não quiz mais andar, demonstrando estar com pouca potência para subir as ladeiras da serra de Córdoba. No caminho cheguei a substituir o condensador, mas de nada adiantou. Nos últimos kilômetros necessitamos ser rebocados.
Durante o asado, conversa vai e conversa vem, várias hipóteses surgiram. Decidimos levá-la há casa do Júlio (mecânico e integrante do grupo naquele domingo) na segunda-feira de manhã para regular as válvulas de admissão e tentar solucionar o problema. Os cerca de 50 km entre o camping e a casa do Augusto no domingo a noite foram percorridos em uma verdadeira “operação” de apoio em que o Augusto nos rebocava enquanto dois outros integrantes acompanhavam, um deles (Pablo) com o alerta de sua Hyundai ligado, já que a Ursula não possui este “acessório”.
Na segunda de manhã, já na casa do Júlio, ajusta aqui e ali até que saímos com nossa guerreira redondinha. Acabaram-se os problemas!!!…. Alguns quilometros depois, voltam os problemas. Seguimos com pouca potência no motor, mas desta vez havia melhorado um pouco e conseguiamos andar pelas próprias pernas. Passamos parte da tarde trabalhando na elétrica da Ursula, basicamente substituindo peças. Trocamos o platinado e parecia que tudo estava bem. Cerca de uma hora depois de dar algumas voltas para testar, pensamos em sair para comprar comida e novamente a Ursula não queria andar. Desta vez, a gasolina não chegava ao motor. Substituimos os dois filtros (antes e depois da bomba) e voltamos a ter o motor em condições.
Na terça de manhã, depois de trocar o platinado, a bobina e o condensador da bobina, parecia que tudo estava bem. Fizemos várias voltas sem nenhum tipo de problema. Em uma delas até a gomeria (borracharia) conhecemos o Jorge e ele nos presenteou a Ursula com uma verdadeira medalha de honra ao mérito por tudo que havia percorrido até então. Logo depois do meio dia, Augusto, Pablo e eu tratamos de “cravar” a medalha no peito de nossa guerreira.

Rasgo aberto no pneu em Rufino

O pobrezinho parece ter carregado mais peso que os outros

Chegando há Cordoba, mais um pneu se vai.

Sábado a tarde, alterando a posição da bomba de gasolina

Pelos kilômetros rebocando Ursula, a Estanciera de Augusto foi batizada "Noivo da Ursula" (hehehe)

Ela parecia estar realmente apaixonada pela amarelinha de Augusto

Segunda-feira na casa do Julio (da pra notar que a coisa não tava fácil)

Augusto e Pablo batizando a Ursula - UMA VERDADEIRA ESTANCIERA!!

As Estancieras Argentinas levavam este mesmo símbolo quando saiam de fábrica
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